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sexta-feira, 30 de março de 2012

CAMARAGIBE - RECIFE SE PREPARA PARA RECEBER IX CONGRESSO REGIONAL NORTE-NORDESTE DA OCDS 2012

                    IX CONGRESSO REGIONAL NORTE-NORDESTE DA OCDS          
      DA PROVÍNCIA DE SÃO JOSÉ

Em Recife - 7 a 10 de junho de 2012

Tema: “O broto nascido cresce e expande suas raízes”
Lema: “Enraizados em Cristo... (Cl 2,7), anunciem suas misericórdias (Mc 5,19)”

A PROPOSTA é se tomar a temática e o lema desenvolvendo-os a partir da centralidade de Jesus Cristo na vida cristã católica, conforme o Magistério da Igreja, a Regra do Carmelo e as Constituições da OCDS, considerando isto na vida e nas obras dos santos da Ordem, particularmente nossos santos doutores, especialmente na Santa Madre Teresa de Jesus. Naturalmente, aí tem lugar de excelência a Ssma. Virgem Maria na economia da redenção, como irmã, mãe, e exemplo de vida de oração para os seguidores de seu Filho.
Para desenvolver aquele núcleo fontal salvífico – da centralidade de Jesus Cristo, de Quem tudo deve partir (cf. NMI 29; atual DGAE cap.1º), nos confrontaremos com as orientações do Magistério contidas no texto conclusivo da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe aprovado pelo Santo Padre Bento XVI (Doc. de Aparecida) que nos indica a necessidade de reforçar a vida eclesial em cima de quatro eixos, a saber:
(a) reforçar a experiência religiosa do encontro com Jesus Cristo;
(b) reforçar a vivência comunitária;
(c) reforçar a formação bíblico-doutrinal;
(d) reforçar o compromisso missionário de toda a comunidade.

Nosso Congresso quer estruturar-se sobre estes quatro eixos pastorais.
Estaremos igualmente seguindo, assim, as orientações contidas nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil 2011-2015 que após considerarem as marcas dos nossos tempos definem as 5 maiores urgências da ação evangelizadora para o nosso País, a saber: (1) por a Igreja em estado permanente de missão; (2) fazer da Igreja a casa da iniciação à vida cristã; (3) a Igreja deve ser o lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; (4) fazer a Igreja uma comunidade de comunidades; (5) assumir, como Igreja, o serviço de vida plena para todos.
Este IX Congresso pretende descobrir o que a OCDS já vive dessas definições dos nossos pastores e a partir disto motivar e fortalecer ainda mais as propostas já contidas em nossas Constituições convergentes com as preocupações do Episcopado Latino-Americano e do Brasil em particular, aplicando-as à vida e a missão dos membros da OCDS. Ele se constituirá como nossa participação mais entusiasta  -  uma primeira, talvez  -  na comemoração do cinqüentenário do Concílio Ecumênico Vaticano II (de 11-10-1962 a 8-12-1965). 
VER TODOS OS INFORMES DO CONGRESSO NA JANELA "DETALHES" DESTE BLOG - ocdscamaragibe.blogspot.com

quarta-feira, 28 de março de 2012

RITOS DE ADMISSÃO E PRIMEIRAS PROMESSAS NA ORDEM

PALAVRAS DO FORMADOR AO FINAL DA SANTA MISSA – CAMARAGIBE – 11-3-12 –

Depois dos agradecimentos devidos, devo dizer ainda uma palavrinha neste final.
Que importantes momentos vivemos hoje neste Carmelo de Camaragibe!
Também nosso Retiro ontem, orientado pelo querido frei Wilson, Delegado Provincial para a Ordem Teresiana Secular no Norte e Nordeste. Foram momentos inesquecíveis, sem dúvida.

É isto! Estamos aqui por nos sentirmos chamados por Deus, pode ser até que um ou outro diga: foi fulano que me convidou, ou, soube por acaso na missa tal, etc. Tudo bem, isso pode ter acontecido, mas como circunstâncias instrumentais da Providência Divina, de uma graça interior que já nos trabalhava na intimidade. E assim aportamos às praias junto ao Monte Carmelo... e dos carmelitas, de quem recebemos a Regra do Carmelo.
Tudo o que já vivemos tiramos já lições de nossa Regra e das Constituições dos Carmelitas Descalços Seculares:  nos dizem para ir ao essencial da vida cristã. Eu arriscaria dizer que o Carmelo é bem isto: encontrar e viver o essencial da vida cristã – e orientar nossa vida a partir desse eixo maior encontrado ao redor do qual tudo adquire luz e cor.

A Regra do Carmelo nos indica algumas pistas para buscarmos esse núcleo fontal salvífico. Digo apenas três pistas e três conselhos.
1ª pista – No meio de um mundo perdido de modelos claros, “viver em obséquio de Jesus Cristo”, ter Jesus como modelo maior de nossas vidas. Seguir Jesus como verdadeiros discípulos.
2ª pista – Nos pede para dedicarmos diariamente um tempo para uma leitura orante da Bíblia, sobretudo os Evangelhos, na sua expressão, “meditando dia e noite a Palavra de Deus”, quer dizer, mantermos uma abertura a Deus, ao transcendente, a escuta de Deus.
3ª pista – No coração da Regra encontra-se o coração da Bíblia, viver conforme a Regra de Ouro – quer dizer, conforme o ‘Shemá, Israel’ (Ouve, ó Israel), do Antigo Testamento, ampliado por Jesus no Sermão da Montanha: amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo; e amar como Jesus amou!

E três conselhos práticos:
            1. Se seguirmos a pregação do Apóstolo Paulo não erraremos o Caminho.
            2. Viver tudo isso em comunidade cristã, aberta ao mundo, como viviam os cristãos nos tempos apostólicos e é relatado no Novo Testamento.
            3. Viver em comunhão eclesial, com o nosso Papa Bento XVI, nosso bispo Dom Fernando, nossos superiores da Ordem Descalça, frei Afonso - Provincial, frei Wilson – nosso Delegado Provincial, nossos irmãos das Comunidades e Grupos espalhados por todo esse Brasil e pelo mundo. No concreto, viver em comunidade cristã carmelitana a partir daqui de Camaragibe, a partir deste grupo de irmãos que o Senhor congregou.

Nossas tradições católicas e carmelitanas acentuam ainda:
1 – Tomar a Virgem Maria como modelo.
2 – Andar no caminho de perfeição pelas trilhas propostas por nossa mãe espiritual, Santa Teresa d’Ávila que nos ensina “a oração como um trato de amizade com Aquele que sabemos que nos ama”. Viver no Senhor essa relação de amizade. E outras trilhas complementares, outros escritos, como em São João da Cruz, Santa Teresa de Lisieux e tantos santos da Ordem.

Em tudo isso que é nossa vocação– no exercício de subir esse Monte Carmelo, que é o Cristo Jesus– descubramos aí a nossa missão, talvez, a primeira, num mundo que afasta-se de Deus em grande velocidade, muitas vezes desprezando os verdadeiros valores, e até quer – de modo determinado e orquestradamente - dar as costas a Deus. Num mundo assim, assumamos a missão de viver e testemunhar a primazia de Deus sobre tudo; e difundir o seu Reino de amor, justiça e paz em cada âmbito da sociedade, a começar ao redor de nós, assim, como discípulos e missionários do Deus “que é só amor e misericórdia”.
Que assim seja! E que Santa Teresinha – padroeira universal dos missionários - nos ajude nessa missão.
Gustavo Graciano de Santa Teresa de Jesus

terça-feira, 13 de março de 2012

MOMENTOS DAS CELEBRAÇÕES NA CAPELA DO CARMELO DE CAMARAGIBE

Fiéis, familiares e amigos presentes à celebração


OS IRMÃOS ADMITIDOS À FORMAÇÃO
Gustavo, Martha e Carlos iniciam o Ritual das Promessas


Irmãos proferem suas Promessas diante do Delegado Provincial Frei Wilson
Os irmãos admitidos e os que realizaram suas primeiras Promessas com Frei Wilson e  Ir.Maria José da Santa Face, acompanhante do Grupo
Grupo Santa Teresinha do M.Jesus e da Sgda. Face, faltando ainda dois membros dispersos nas alegrias dos abraços...
  
 




CINCO NOVAS ADMISSÕES E TRÊS PRIMEIRAS PROMESSAS NO GRUPO



Lembrança do Rito de Admissão
na Ordem Secular dos Carmelitas Descalços,
de
Andréa Clementino Filgueiras, Edna Clementino de Oliveira, José Inácio Ferreira,
Maria de Lourdes Sampaio, Mônica Maria Rabelo Rodrigues Lafayette


                                            Mosaico da cúpola da Basílica de Lisieux


E do Rito das Primeiras Promessas
de
Carlos Cavalcante de Oliveira - na Ordem, Carlos de São João da Cruz
Gustavo do Passo Castro - na Ordem, Gustavo Graciano de Santa Teresa de Jesus
Martha da Fonte Castro - na Ordem, Martha de Santa Teresa de Jesus

membros do Grupo Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face,
em Camaragibe – Região Metropolitana do Recife

Capela do Carmelo da Imaculada Conceição, 11 de março de 2012.
Celebrante: Frei Wilson Gomes do Nascimento, OCD – Delegado Provincial para o Norte e Nordeste
Acompanhante do Grupo: Irmã Maria José da Santa Face, OCD



“Juntos caminhemos, Senhor! Por onde fordes, irei eu, por onde passardes, passarei!” – Caminho de Perfeição, Cap. 26, 6

sábado, 3 de março de 2012

Características do Carmelita Descalço Secular


1. O carmelita descalço secular deve ser um apaixonado por Deus, desejoso de buscar o Seu rosto e contemplá-lo no silêncio da oração; alimentar a sua vida espiritual na fonte genuína da Palavra de Deus que, segundo a Regra, deve ser meditada dia e noite. Um conhecedor profundo dos escritos dos místicos do Carmelo para poder difundir com conhecimento, amor e competência, a espiritualidade carmelitana.
2. O carmelita descalço secular deve nutrir uma profunda devoção e amor à Nossa Senhora, ela que é modelo acabado do discípulo de Jesus. A primeira mulher a ser evangelizada e evangelizadora. Na Virgem Maria deve-se espelhar para viver, na cotidianeidade da vida, uma intensa vida espiritual e uma constante presença de Deus. Difundir uma autêntica devoção ao escapulário como sinal de pertença a Maria e de consagração ao seu serviço.
3. O carmelita descalço secular deve sentir-se Igreja e assumir a sua missão de orante na Igreja e pela Igreja, através do apostolado da espiritualidade. Trabalhando segundo as suas possibilidades e carisma próprios, nas obras da mesma Ordem, sendo um apoio válido nas casas de espiritualidade, casas de retiros, edições, missões. Toda obra do Carmelo pertence a todo o Carmelo, e portanto também à Ordem Secular dos carmelitas descalços.
4. O carmelita descalço secular tem consciência de pertencer ativamente à sua comunidade paroquial, por isso trabalha na sua comunidade. O Carmelo não tira as pessoas das paróquias, ele as prepara para que sejam mais eficientes em suas comunidades, marcando presença nas várias pastorais e levando às pastorais o espírito carmelitano de oração e o novo sopro da espiritualidade, capaz de renovar as estruturas a partir de dentro.
5. Cada fraternidade dos carmelitas descalços seculares deve procurar realizar um trabalho sócio-religioso ao serviço dos mais pobres e necessitados. A opção preferencial pelos pobres, feita pela a Igreja e pela Ordem, deve ser assumida pela mesma Ordem Secular.
6. Cada carmelita descalço secular é um promotor vocacional da própria Ordem. Com sua vida, suas palavras e apostolado, deve suscitar novas vocações. Não devemos preocupar-nos tanto com a quantidade mas com a qualidade. Por isso, cada um terá o máximo primor pela sua formação pessoal nas várias etapas de sua vida, dando particular importância à formação permanente.
7. O carmelita descalço secular é aquele que, revoltado com as novas idolatrias, destróe os ídolos como Elias e toma o caminho do deserto até chegar à montanha de Deus, o Horeb, para buscar ao Senhor.
Diante disso o , Elias levantou-se e partiu para salvar a vida o ; chegou a Beer-Sheba, que pertencia a Judá, e lá deixou o seu servo. 4 Quanto a ele, seguiu para o deserto, que ficava a um dia de caminhada. Ao chegar, sentou-se debaixo de uma giesteira isolada o . Pediu a morte e disse: Não agüento mais! Agora, Senhor, tira a minha vida, pois não valho mais do que meus pais o . 5 Depois deitou-se e adormeceu debaixo de uma giesteira solitária. Eis, porém, que um anjo do Senhor o tocou e lhe disse: Levanta-te e come! 6 Ele olhou: junto à cabeça havia um bolinho cozido, pedras aquecidas e uma bilha com água; ele comeu, bebeu e deitou-se novamente. 7 O anjo do Senhor voltou, tocou-o e disse: Levanta-te e come, senão o caminho será demasiado longo para ti. 8 Elias levantou-se, comeu e bebeu e depois, fortificado por aquele alimento, caminhou quarenta dias e quarenta noites o até a montanha de Deus, o Horeb o . 9 Chegou ali, na caverna o , e lá passou a noite. - Veio-lhe a palavra do Senhor: Por que estás aqui, Elias? 10 Respondeu: Eu ardo de ciúme o pelo Senhor, o Deus de todo poder: os filhos de Israel abandonaram a tua aliança o , demoliram os teus altares e mataram à espada os teus profetas; só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida. - 11 O Senhor lhe disse: Sai e permanece no alto da montanha, diante do Senhor: porque o Senhor vai passar. Houve diante do Senhor um vento forte e violento, que raspava as montanhas e fendia os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Após o vento, houve um terremoto; o Senhor não estava no terremoto. 12 Depois do terremoto, houve um fogo; o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo, o sussurrar de um sopro tênue o . 13 Então, ouvindo-o, Elias velou o rosto com o manto o ; saiu e postou-se à entrada da caverna. (1 Rs 21,3-12)
8. O carmelita descalço secular escuta a voz do vento do Espírito que lhe pergunta como a Elias na gruta: "que fazes tu aqui, Elias?" Ele sabe que é necessário voltar para Damasco sinônimo de compromisso e da cidade onde deverá dar o seu testemunho de vida nos novos areópagos da descrença.
9. O carmelita descalço secular, através da inculturação dos valores evangélicos carmelitanos, vai gerando uma nova mística para o III milênio, oferecendo aos que buscam a Deus o caminho da interioridade que se compromete com a vida.
10. O carmelita descalço secular deve ter consciência da sua missão profética: ser no mundo e na Igreja aquele que mantém acesa a chama da contemplação e da oração. Não há Carmelo sem o profetismo e sem a mística da oração e da contemplação.
É A HORA DO CARMELO DESCALÇO SECULAR.
Sempre o Carmelo teve uma forte acolhida dentro e fora da Igreja, pela sua espiritualidade e pela universalidade da doutrina dos seus místicos mais conhecidos. Embora por caminhos diferentes, todos almejam o encontro com o Absoluto. Todos os que sentem sede do infinito sentem-se também à vontade com os místicos do Carmelo. Uma Santa Teresa de Ávila ou um São João da Cruz são amados por todos. A poesia mística encontra, especialmente nestes dois grandes santos, a sua mais alta expressão. O caminho do "Nada para chegar a possuir o Tudo" seduz e dá coragem para percorrer os caminhos da noite, subir a montanha e desejar chegar ao cimo, onde não há outra coisa que a liberdade plena. Deus, com seu amor e plenitude, habita dentro de nós, onde está a verdadeira nascente de todo o bem. Somente quem encontra a Deus e por Ele se deixa encontrar, chega ao conhecimento de si mesmo. Fora de Deus não conseguimos nos conhecer e descobrir a nossa verdadeira e autêntica identidade. O fenômeno místico e a experiência oracional pertencem ao ser humano que busca, com sinceridade a verdade. É a mesma Edith Stein, que percorreu o caminho do rígido judaísmo, fez-se atéia por opção e entrou na Igreja católica por convicção e fé, quem chega a dizer: "por muitos anos a minha única oração foi a busca da verdade.
Muitas pessoas se perguntam: por que os místicos do Carmelo são sempre atuais, e depois de séculos de história conservam a própria vitalidade e fascínio?
Eu encontro uma única resposta, que me parece válida: porque eles não se detém na reflexão do passageiro ou do relativo, mas fixam a sua atenção no que é essencial para todas as épocas e períodos históricos, isto é: a busca e o encontro com Deus.
"Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido." (Cântico 1)

"Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada." (Noite 1)
"Oh, chama de amor viva
que ternamente feres
de minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro." (Chama 1)

Estas três estrofes de João da Cruz são uma amostra do que o ser humano vai buscando sempre, e sente-se inquieto até que não o encontra. Mas nunca podemos esquecer que o encontro com Deus nunca é pleno, sempre será parcial. No mesmo instante que o encontramos, nós o buscamos de novo. Mas onde buscá-lo? É Teresa quem nos diz que nós somos um castelo luminoso.
"...Falo de considerar a nossa alma como um castelo todo de diamante ou de cristal muito claro onde há muitos aposentos, tal como no céu há muitas moradas. A bem da verdade, irmãs, não é outra coisa a alma do justo senão um paraíso onde Ele disse ter Suas delícias. Pois não achais que assim será o aposento onde um Rei tão poderoso, tão sábio, tão puro, tão pleno de todos os bens se deleita?
Não encontro outra coisa com que comparar a grande formosura de uma alma e a sua grande capacidade. De fato, a nossa inteligência - por aguda que seja - mal chega a compreendê-la, assim como ano pode chegar a compreender a Deus; pois Ele mesmo disse que nos criou à Sua imagem e semelhança. Se assim é - e não há dúvida disso -, não há razão para nos cansar buscando compreender a formosura deste castelo. Pois, ainda que entre ele e Deus exista a diferença que há entre Criador e criatura - já que esse castelo é criatura -, basta que Sua Majestade diga que o fez à Sua imagem para que possamos entender a grande dignidade e formosura da alma." (1Moradas 1,1)
Ao ser humano, vazio e disperso, rompido nos seus mais íntimos desejos, não lhe resta outro caminho a não ser o caminho do interior. É dentro dele que está escondido o Deus que tanto procura.
"Grande consolação traz à alma o entender que jamais lhe falta Deus, mesmo quando se achasse(ela) em pecado mortal; quanto mais estará presente naquela que se acha em estado de graça! Que mais queres, ó alma, e que mais buscas fora de ti, se tens dentro de ti tuas riquezas, teus deleites, tua satisfação, tua fartura e teu reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas? Goza-te e alegra-te em teu interior recolhimento com ele, pois o tens tão próximo. Aí o deseja, aí o adora, e não vás buscá-lo fora de ti, porque te distrairás e cansarás; não o acharás nem gozarás com maior segurança, nem mais depressa, nem mais de perto, do que dentro de ti. Há somente uma coisa: embora esteja dentro de ti, está escondido. Mas, já é grande coisa saber o lugar onde ele se esconde, para o buscar ali com certeza. É isto o que pedes também aqui, ó alma, quando com afeto de amor, exclamas: onde é que te escondeste?" (Cântico 1,8)
A proposta que o Carmelo pode oferecer aos cristãos do III milênio é o da mística, entendida como busca do essencial, e como vivência dos valores evangélicos que geram os profetas, capazes de endurecer o próprio rosto diante as injustiça, como o servo sofredor de Javé. Quem encontra o Senhor desde o seu lugar, seja no cárcere de Toledo como João da Cruz, ou um Francisco de Assis ou um São João Bosco, terá sempre uma única finalidade: lutar contra o egoísmo humano que escraviza, e libertar o ser humano do pecado para comprometer-se com a verdadeira liberdade. Livre de todas as escravidões e noites: do espírito, materiais, da pobreza, da descrença...Somente será livre e capaz de libertar aos outros os que encontram o Senhor.
Os carmelitas descalços seculares são os novos evangelizadores do III milênio que, com a oração e a ação, proclamam a força transformadora das bem-aventuranças. E entendem, numa maneira nova, o que diz Teresinha do Menino Jesus: "quero amar a Deus e torná-lo amado". (Frei Patrício Sciadini).