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sábado, 3 de março de 2012

Características do Carmelita Descalço Secular


1. O carmelita descalço secular deve ser um apaixonado por Deus, desejoso de buscar o Seu rosto e contemplá-lo no silêncio da oração; alimentar a sua vida espiritual na fonte genuína da Palavra de Deus que, segundo a Regra, deve ser meditada dia e noite. Um conhecedor profundo dos escritos dos místicos do Carmelo para poder difundir com conhecimento, amor e competência, a espiritualidade carmelitana.
2. O carmelita descalço secular deve nutrir uma profunda devoção e amor à Nossa Senhora, ela que é modelo acabado do discípulo de Jesus. A primeira mulher a ser evangelizada e evangelizadora. Na Virgem Maria deve-se espelhar para viver, na cotidianeidade da vida, uma intensa vida espiritual e uma constante presença de Deus. Difundir uma autêntica devoção ao escapulário como sinal de pertença a Maria e de consagração ao seu serviço.
3. O carmelita descalço secular deve sentir-se Igreja e assumir a sua missão de orante na Igreja e pela Igreja, através do apostolado da espiritualidade. Trabalhando segundo as suas possibilidades e carisma próprios, nas obras da mesma Ordem, sendo um apoio válido nas casas de espiritualidade, casas de retiros, edições, missões. Toda obra do Carmelo pertence a todo o Carmelo, e portanto também à Ordem Secular dos carmelitas descalços.
4. O carmelita descalço secular tem consciência de pertencer ativamente à sua comunidade paroquial, por isso trabalha na sua comunidade. O Carmelo não tira as pessoas das paróquias, ele as prepara para que sejam mais eficientes em suas comunidades, marcando presença nas várias pastorais e levando às pastorais o espírito carmelitano de oração e o novo sopro da espiritualidade, capaz de renovar as estruturas a partir de dentro.
5. Cada fraternidade dos carmelitas descalços seculares deve procurar realizar um trabalho sócio-religioso ao serviço dos mais pobres e necessitados. A opção preferencial pelos pobres, feita pela a Igreja e pela Ordem, deve ser assumida pela mesma Ordem Secular.
6. Cada carmelita descalço secular é um promotor vocacional da própria Ordem. Com sua vida, suas palavras e apostolado, deve suscitar novas vocações. Não devemos preocupar-nos tanto com a quantidade mas com a qualidade. Por isso, cada um terá o máximo primor pela sua formação pessoal nas várias etapas de sua vida, dando particular importância à formação permanente.
7. O carmelita descalço secular é aquele que, revoltado com as novas idolatrias, destróe os ídolos como Elias e toma o caminho do deserto até chegar à montanha de Deus, o Horeb, para buscar ao Senhor.
Diante disso o , Elias levantou-se e partiu para salvar a vida o ; chegou a Beer-Sheba, que pertencia a Judá, e lá deixou o seu servo. 4 Quanto a ele, seguiu para o deserto, que ficava a um dia de caminhada. Ao chegar, sentou-se debaixo de uma giesteira isolada o . Pediu a morte e disse: Não agüento mais! Agora, Senhor, tira a minha vida, pois não valho mais do que meus pais o . 5 Depois deitou-se e adormeceu debaixo de uma giesteira solitária. Eis, porém, que um anjo do Senhor o tocou e lhe disse: Levanta-te e come! 6 Ele olhou: junto à cabeça havia um bolinho cozido, pedras aquecidas e uma bilha com água; ele comeu, bebeu e deitou-se novamente. 7 O anjo do Senhor voltou, tocou-o e disse: Levanta-te e come, senão o caminho será demasiado longo para ti. 8 Elias levantou-se, comeu e bebeu e depois, fortificado por aquele alimento, caminhou quarenta dias e quarenta noites o até a montanha de Deus, o Horeb o . 9 Chegou ali, na caverna o , e lá passou a noite. - Veio-lhe a palavra do Senhor: Por que estás aqui, Elias? 10 Respondeu: Eu ardo de ciúme o pelo Senhor, o Deus de todo poder: os filhos de Israel abandonaram a tua aliança o , demoliram os teus altares e mataram à espada os teus profetas; só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida. - 11 O Senhor lhe disse: Sai e permanece no alto da montanha, diante do Senhor: porque o Senhor vai passar. Houve diante do Senhor um vento forte e violento, que raspava as montanhas e fendia os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Após o vento, houve um terremoto; o Senhor não estava no terremoto. 12 Depois do terremoto, houve um fogo; o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo, o sussurrar de um sopro tênue o . 13 Então, ouvindo-o, Elias velou o rosto com o manto o ; saiu e postou-se à entrada da caverna. (1 Rs 21,3-12)
8. O carmelita descalço secular escuta a voz do vento do Espírito que lhe pergunta como a Elias na gruta: "que fazes tu aqui, Elias?" Ele sabe que é necessário voltar para Damasco sinônimo de compromisso e da cidade onde deverá dar o seu testemunho de vida nos novos areópagos da descrença.
9. O carmelita descalço secular, através da inculturação dos valores evangélicos carmelitanos, vai gerando uma nova mística para o III milênio, oferecendo aos que buscam a Deus o caminho da interioridade que se compromete com a vida.
10. O carmelita descalço secular deve ter consciência da sua missão profética: ser no mundo e na Igreja aquele que mantém acesa a chama da contemplação e da oração. Não há Carmelo sem o profetismo e sem a mística da oração e da contemplação.
É A HORA DO CARMELO DESCALÇO SECULAR.
Sempre o Carmelo teve uma forte acolhida dentro e fora da Igreja, pela sua espiritualidade e pela universalidade da doutrina dos seus místicos mais conhecidos. Embora por caminhos diferentes, todos almejam o encontro com o Absoluto. Todos os que sentem sede do infinito sentem-se também à vontade com os místicos do Carmelo. Uma Santa Teresa de Ávila ou um São João da Cruz são amados por todos. A poesia mística encontra, especialmente nestes dois grandes santos, a sua mais alta expressão. O caminho do "Nada para chegar a possuir o Tudo" seduz e dá coragem para percorrer os caminhos da noite, subir a montanha e desejar chegar ao cimo, onde não há outra coisa que a liberdade plena. Deus, com seu amor e plenitude, habita dentro de nós, onde está a verdadeira nascente de todo o bem. Somente quem encontra a Deus e por Ele se deixa encontrar, chega ao conhecimento de si mesmo. Fora de Deus não conseguimos nos conhecer e descobrir a nossa verdadeira e autêntica identidade. O fenômeno místico e a experiência oracional pertencem ao ser humano que busca, com sinceridade a verdade. É a mesma Edith Stein, que percorreu o caminho do rígido judaísmo, fez-se atéia por opção e entrou na Igreja católica por convicção e fé, quem chega a dizer: "por muitos anos a minha única oração foi a busca da verdade.
Muitas pessoas se perguntam: por que os místicos do Carmelo são sempre atuais, e depois de séculos de história conservam a própria vitalidade e fascínio?
Eu encontro uma única resposta, que me parece válida: porque eles não se detém na reflexão do passageiro ou do relativo, mas fixam a sua atenção no que é essencial para todas as épocas e períodos históricos, isto é: a busca e o encontro com Deus.
"Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo-me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido." (Cântico 1)

"Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada." (Noite 1)
"Oh, chama de amor viva
que ternamente feres
de minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro." (Chama 1)

Estas três estrofes de João da Cruz são uma amostra do que o ser humano vai buscando sempre, e sente-se inquieto até que não o encontra. Mas nunca podemos esquecer que o encontro com Deus nunca é pleno, sempre será parcial. No mesmo instante que o encontramos, nós o buscamos de novo. Mas onde buscá-lo? É Teresa quem nos diz que nós somos um castelo luminoso.
"...Falo de considerar a nossa alma como um castelo todo de diamante ou de cristal muito claro onde há muitos aposentos, tal como no céu há muitas moradas. A bem da verdade, irmãs, não é outra coisa a alma do justo senão um paraíso onde Ele disse ter Suas delícias. Pois não achais que assim será o aposento onde um Rei tão poderoso, tão sábio, tão puro, tão pleno de todos os bens se deleita?
Não encontro outra coisa com que comparar a grande formosura de uma alma e a sua grande capacidade. De fato, a nossa inteligência - por aguda que seja - mal chega a compreendê-la, assim como ano pode chegar a compreender a Deus; pois Ele mesmo disse que nos criou à Sua imagem e semelhança. Se assim é - e não há dúvida disso -, não há razão para nos cansar buscando compreender a formosura deste castelo. Pois, ainda que entre ele e Deus exista a diferença que há entre Criador e criatura - já que esse castelo é criatura -, basta que Sua Majestade diga que o fez à Sua imagem para que possamos entender a grande dignidade e formosura da alma." (1Moradas 1,1)
Ao ser humano, vazio e disperso, rompido nos seus mais íntimos desejos, não lhe resta outro caminho a não ser o caminho do interior. É dentro dele que está escondido o Deus que tanto procura.
"Grande consolação traz à alma o entender que jamais lhe falta Deus, mesmo quando se achasse(ela) em pecado mortal; quanto mais estará presente naquela que se acha em estado de graça! Que mais queres, ó alma, e que mais buscas fora de ti, se tens dentro de ti tuas riquezas, teus deleites, tua satisfação, tua fartura e teu reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas? Goza-te e alegra-te em teu interior recolhimento com ele, pois o tens tão próximo. Aí o deseja, aí o adora, e não vás buscá-lo fora de ti, porque te distrairás e cansarás; não o acharás nem gozarás com maior segurança, nem mais depressa, nem mais de perto, do que dentro de ti. Há somente uma coisa: embora esteja dentro de ti, está escondido. Mas, já é grande coisa saber o lugar onde ele se esconde, para o buscar ali com certeza. É isto o que pedes também aqui, ó alma, quando com afeto de amor, exclamas: onde é que te escondeste?" (Cântico 1,8)
A proposta que o Carmelo pode oferecer aos cristãos do III milênio é o da mística, entendida como busca do essencial, e como vivência dos valores evangélicos que geram os profetas, capazes de endurecer o próprio rosto diante as injustiça, como o servo sofredor de Javé. Quem encontra o Senhor desde o seu lugar, seja no cárcere de Toledo como João da Cruz, ou um Francisco de Assis ou um São João Bosco, terá sempre uma única finalidade: lutar contra o egoísmo humano que escraviza, e libertar o ser humano do pecado para comprometer-se com a verdadeira liberdade. Livre de todas as escravidões e noites: do espírito, materiais, da pobreza, da descrença...Somente será livre e capaz de libertar aos outros os que encontram o Senhor.
Os carmelitas descalços seculares são os novos evangelizadores do III milênio que, com a oração e a ação, proclamam a força transformadora das bem-aventuranças. E entendem, numa maneira nova, o que diz Teresinha do Menino Jesus: "quero amar a Deus e torná-lo amado". (Frei Patrício Sciadini).